A milha XXVIII situa-se na Leira dos Padrões, a
oeste de S. João do Campo, a uma altitude de 630 metros. Os miliários
relacionados com esta milha têm sido encontrados em pontos dispersos, o que é normal
considerando que o caminho atravessa uma área cultivada, dividida em numerosas
parcelas. O local exacto da milha poderá ser o topónimo Leira dos Padrões, na
Veiga de S. João.
No conjunto, em relação com esta milha, foram
registados 9 marcos. Destes sabe-se, pelas referências bibliográficas do século
XVIII, que dois foram destruídos a fim de serem utilizados na construção da
igreja setecentista. De outros três não se sabe o paradeiro. Um deles, de
acordo com José Mattos Ferreira era consagrado ao imperador Magnêncio
(350-353), sem indicação da milha. Outro a Constâncio (292-306), tendo sido
encontrado junto às ruínas do antigo templo de S. João do Campo, também este
sem indicação da milha. No terceiro apenas se lia o registo da milha: XXVIII.
Junto à estrada municipal observa-se um outro marco, citado pela primeira vez
por Mattos Ferreira, e cuja epígrafe, embora legível, é pouco explícita.
Amaro Carvalho da Silva divulgou, em primeira mão,
outros três. Um deles, de acordo com aquele autor conserva-se na parede
exterior de uma casa de S. João de Campo. Apenas se lê a indicação da milha
XXVIII. O outro apareceu em 1945 numa leira, tendo sido colocado num muro de
socalco. Mais tarde, em 1982, quando, na mesma leira, foi erguida uma vivenda,
o marco foi colocado a 25 metros do local do achado, no quintal, onde ainda
hoje se pode observar. A inscrição deste marco, segundo a leitura de A. M.
Silva, refere-se ao imperador Caro (282-283). Um terceiro, anepígrafe, jaz numa
parede de uma corte de gado em S. João de Campo.
Desta milha em diante a antiga via romana foi
coberta, ou está adjacente à estrada aberta quando se construiu a barragem de
Vilarinho das Furnas. Para diante do ponto em que se avista de novo o Vale do
Homem, é possível calcorrear o antigo caminho, poupado, quer pela estrada que
desce à barragem, quer pelo estradão florestal. Ao longo deste pequeno tramo,
até à Bouça do Gavião (milha XIX), o caminho romano conserva-se em terra
batida, observando-se uma calçada quando a via inflecte para sul, a fim de
contornar o monte, descendo suavemente.